Livro “A Formação do Analista – um sintoma da psicanálise” será lançado no próximo dia 02 de maio

O tema formação do psicanalista já foi amplamente debatido por autores no Brasil e no exterior com importantes trabalhos publicados, entretanto a temática está longe de ser esgotada. A problemática virou objeto do livro “A Formação do Analista – um sintoma da psicanálise”, escrito por Mônica Portugal e publicado pela Editora Escuta. O livro é fruto de pesquisa acadêmica do mestrado junto à Universidade Federal do Ceará (UFC). A obra vai ser lançada no próximo dia 02 de maio, na livraria Cultura, a partir das 19h.

A autora busca mostrar que a formação do analista é sintoma da própria psicanálise. O trabalho busca responder a que vem a psicanálise. Seria um meio terapêutico que possa aplacar a ira contra o mal-estar na cultura? Ou ela vem em busca de estabelecer para o sujeito a verdade de sua inexorável divisão? Caso a formação do analista siga o ritmo de uma profissão como outra qualquer, atendendo aos anseios e ao ritmo do mercado, a única resposta possível dirá respeito ao apequenamento da psicanálise, uma vez que esta estaria circunscrita a uma terapêutica.

“O livro mostra uma inquietação acerca do avanço de instituições ditas de psicanálise na grande rede com apelos para formar profissionais psicanalistas, os quais estão completamente afastados dos princípios e fundamentos que regem o ofício da psicanálise. Defendo que é necessário que se tenha uma profissão qualquer antes de se ocupar o lugar de analista, pois um analista é um efeito que só funciona no dispositivo analítico”, explica Mônica Portugal.

A obra é dividida em três partes. Na primeira, “A formação do analista”, há uma digressão acerca dos conflitos que rondam as experiências de Freud e Lacan relacionadas ao tema, situando a discussão em torno da verdade do sintoma. A segunda trata do conceito dos discursos em Lacan, cotejados às profissões que Freud asseverou como impossíveis: analisar, educar e governar, sabendo que essas três alicerçam a formação do analista, ou seja, uma análise, a apreensão teórica e a supervisão ou controle clínico.

Na última parte, a autora interroga sobre a inconsistência da formação de um “profissional” psicanalista, a partir da posição do discurso do capitalista. Neste ponto, as categorias tempo e dinheiro surgem como denominadores no processo, com a entrada de Marx, o qual assevera que o dinheiro confraterniza com as impossibilidades.

Sobre Mônica Portugal

Mônica Maria de Andrade Torres Portugal (58) nasceu em Fortaleza (CE). Formação em Ciências Econômicas; pós-graduada pela Fundação Getúlio Vargas em Gestão Financeira e Empresarial. Exerceu por mais de 25 anos o cargo de Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, atualmente aposentada, e há 14 anos trilha o caminho da formação do analista.

A autora publicou o artigo ” Psicanálise: de uma necessária weltanschauung científica à impossibilidade de acomodação no âmbito da ciência”, no livro Filosofia da Ciência e Formação Humana (CHAGAS. E. e outros, Curitiba, Editora CRV, 2016), além de publicação e apresentação de escritos em diversos fóruns de psicanálise no Brasil. Foi membro fundadora da instituição Invenção Freudiana em Fortaleza e atualmente é membro do Espaço Moebius, em Salvador.