50% dos jovens sentem pressão para ter relacionamento, diz pesquisa

Professora da UNINASSAU explica causas e consequências desse tipo de pressão 

Em pesquisa realizada pela plataforma social Yubo, com mais de 5.200 jovens, 50% dos brasileiros afirmaram sentir pressão social para manter um relacionamento. A referida pesquisa apresentou dados de como a Geração Z (formada por jovens que nasceram no período de 1995 a 2010) tem medo de ficar sozinha:  21%  dos jovens afirmaram que essa pressão é originada das redes sociais, 22% da família e 40% de uma pressão interna. 

Mas, curiosamente, essa geração também interpreta que o desenvolvimento do autocuidado e do amor próprio são prioridades. Mais de 52% dos jovens entrevistados consideraram o relacionamento com eles mesmos mais importante que a relação com família (27%), amigos (11%) e namorado (4%). 

“Essas pressões estão relacionadas à idealização social, aos padrões impostos pela sociedade. Se sentir desejado(a) é algo que é muito bem visto pelo imaginário das pessoas. No caso dos jovens, eles idealizam muito aquilo que veem de forma superficial nas redes sociais, como é o caso dos relacionamentos. Eles acreditam que a relação de um determinado casal é perfeita e muitas vezes sabemos que isso não corresponde à realidade”, explica a professora do curso de Psicologia da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau, em Fortaleza, Marília Barreira. 

De acordo com a psicóloga, geralmente a pessoa, principalmente se for jovem, não está preparada para um relacionamento e engata uma relação apenas com o intuito de  estar com alguém e assim é submetida  a situações de risco. “ Muitas vezes essa pessoa, para manter o relacionamento,  aceita aturar  violência física ou psicológica do parceiro por medo de sofrer de solidão e julgamento da sociedade”, afirma. 

Na pesquisa, conforme mencionado, os jovens relataram que desenvolver o amor próprio é uma prioridade. Para isso, Marília explica que o autoconhecimento é fundamental nesse processo. “Quando tiramos um tempo para fazer algo que gostamos, experimentamos coisas novas, praticamos esportes, temos momentos de lazer e contato com a cultura, por exemplo,  tudo isso  ajuda a desenvolver o autocuidado e a gerar conexão com si mesmo”, explica.   

Em época de pandemia e isolamento social, é comum surgirem conflitos dos jovens  nos relacionamentos com irmãos, pais e outros familiares, pois essas pessoas estão convivendo juntas por mais tempo em casa.  Sobre esse assunto, Marília também dá orientações: “É fundamental respeitar o espaço e a privacidade de cada um, compreender que é um momento difícil para todos. Também é importante saber ceder e pensar em novas formas de interação entre os familiares, como jogos e refeições em conjunto”, pontua.  Ainda segundo a profissional, a psicoterapia também ajuda bastante no processo de autoconhecimento e é muito procurada pelos adolescentes para alcançar este objetivo. Por isso, é importante organizar o tempo para praticar essas atividades, mesmo que sejam realizadas em casa e somente durante os fins de semana.