São Paulo Companhia de Dança volta a Fortaleza

Consideradauma das mais importantes companhias de dança da América Latina pela crítica especializada, a SPCD vem a convite da XII Bienal Internacional de Dança do Ceará.

São Paulo Companhia de Dança volta a Fortaleza em outubro para a XII Bienal Internacional de Dança do Ceará, levando ao palco do Theatro José de Alencar o trabalho de três coreógrafos: Petrichor, do brasileiro Thiago Bordin, A morte do cisne, de Lars Van Cauwenbergh, da Bélgica, inspirado na obra de Michel Fokine, e Vai (2019), de Shamel Pitts, dos Estados Unidos. A apresentação será no dia 25, às 21 horas. A 12ª edição da Bienal de Dança acontece em Fortaleza até o dia 27 deste mês, em Trairi (18 e 19/10), Quixadá (24 e 25/10), Pacatuba (25/10), Itapipoca (25 e 26/10) e Paracuru (25 e 26/10). A programação tem acesso gratuito. 

Desde sua criação, em 2008, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) já foi assistida por um público superior a 660 mil pessoas em 17 diferentes países, passando por mais 136 cidades, em mais de 860 apresentações. Já acumulou 26 prêmios, nacionais e internacionais. A companhia é um corpo artístico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela Associação Pró-Dança e dirigida por Inês Bogéa. É uma companhia de repertório, ou seja, realiza montagens de excelência artística, que incluem trabalhos dos séculos XIX, XX e XXI de grandes peças clássicas e modernas a obras contemporâneas, especialmente criadas por coreógrafos nacionais e internacionais. Além da difusão e circulação de espetáculos, a SPCD tem mais duas vertentes de ação: os Programas Educativos e de Formação de Plateia e Registro e Memória da Dança.

O ESPETÁCULO 

Primeira criação de Thiago Bordin para uma companhia brasileira, Petrichor (2018) – nome que remete ao cheiro da terra molhada pela chuva – teve como ponto de partida a música de Jóhann Jóhannsson e Wim Mertens, que, segundo Bordin, permite um vislumbre da criação coreográfica. “Quando ouço Mertens, começo a imaginar a luz, o figurino, os passos”. As características dos bailarinos brasileiros foram outra fonte de inspiração para o criador. “A obra se desenvolveu em diálogo com o elenco. Cada um trouxe uma cor, um caráter forte, marcante, bem diferente do que eu imaginava. E isso acabou por se tornar a parte mais gratificante desta coreografia.  Thiago Bordin é coreografo e professor freelancer na Europa e no Brasil. De 2001 a 2013 participou do balé de Hamburgo sob a direção de John Neumeier onde se tronou primeiro bailarino em 2005. De 2014 a 2017 fez parte do Nederlands Dans Theater na Holanda. Ganhador de vários prêmios, entre eles o Deutsch tanzpreis “Zukunft” (Alemanha, 2005) e Benois de la Danse, Bolshoi Theater (Russia 2010). 

O balé A morte do cisne, criado em 1907 por Fokine para Anna Pavlova, é um solo que dialoga com as sonoridades da harpa e do violoncelo, inspirado no poema de Alfred Tennyson (1809-1892) e nos movimentos dos cisnes em seus últimos instantes de vida. Já interpretado por grandes estrelas da dança, agora, este trabalho de 2019 do coreógrafo Lars Van Cauwenbergh, inspirado na obra de Michel Fokine, ganha novos acentos e dinâmicas no corpo de uma bailarina da São Paulo Companhia de Dança. Lars Van Cauwenbergh formou-se na Higher Ballet School da Antuérpia, Bélgica. Ingressou no Royal Ballet de Flanders, logo sendo promovido a primeiro bailarino com apenas 18 anos. Dançou no English National Ballet, no Sttatstheater Wiesbaden e como convidado em grandes companhias como: L’Opéra de Paris, Théâtre du Capitole, La Scala de Milano e West Astralian Ballet. Após uma carreira de sucesso como bailarino, trabalhou como professor de técnica clássica e assistente de direção para Cia de Dança Palácio das Artes, Grupo Corpo, Studio 3 e Ballet Jovem de Minas Gerais. Já atuou como assistente de direção e ensaiador da São Paulo Companhia de Dança, onde hoje, é professor. Atua também como assistente de direção e professor/ensaiador no IOA Dança – Instituto de Orientação Artística de Jundiaí. 

Em Vai (2019), o coreógrafo Shamel Pitts busca trabalhar com os muitos significados que esta palavra pode carregar: a expressão do futuro ou acontecimentos inevitáveis. É uma declaração, um nome. Nesta obra, o coreógrafo pesquisa as muitas identidades que constroem nossa sociedade, em termos de movimentos e linguagens. O título da criação instiga a percepção de associações, a fim de dar espaço para novas possibilidades. Shamel Pitts é artista performático, bailarino e coreógrafo. Foi bailarino da Batsheva Dance Company, em Israel, por sete anos. Atualmente é professor na Harvard University e na Julliard School, se apresentando com Sharon Eyal e a Companhia de Dança L-E-V de Gai Behar, além de encenar o repertório de Ohad Naharin em muitas companhias de vários países. Vai é sua primeira criação no Brasil para a SPCD. 

INÊS BOGÉA – Direção Artística  

Inês Bogéa é doutora em Artes (Unicamp, 2007), bailarina, documentarista, escritora, professora no curso de especialização Arte na Educação: Teoria e Prática da Universidade de São Paulo (USP) e autora dos textos do “Por Dentro da Dança” com a São Paulo Companhia de Dança na Rádio CBN. De 1989 a 2001, foi bailarina do Grupo Corpo (Belo Horizonte). Foi crítica de dança da Folha de S. Paulo de 2001 a 2007. É autora de diversos livros infantis e organizadora de vários livros. Na área de arte-educação foi consultora da Escola de Teatro e Dança Fafi (2003-2004) e consultora do Programa Fábricas de Cultura da Secretaria de Cultura do Estado (2007-2008). É autora de mais de quarenta documentários sobre dança. 

A 12ª EDIÇÃO DA BIENAL DE DANÇA 

Em 2019, a Bienal Internacional de Dança do Ceará celebra 22 anos de existência. Considerada um dos mais importantes eventos de dança da América do Sul, chega à sua 12ª edição, celebrando as múltiplas formas de se fazer dança na atualidade. Na programação, espetáculos em teatros e espaços alternativos, além de shows, performances e festas em suas concorridas Fringes.  

Do Brasil, participam mais de 25 espetáculos e artistas do Ceará e 11 de mais seis estados. A Bienal recebe ainda sete atrações internacionais de cinco países. Além do Theatro José de Alencar e Órbita Bar, a Bienal de Dança terá programação em espaços diversos do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Porto Dragão, Cena 15, Cineteatro São Luiz, Vila das Artes, Galpão da Vila, Centro Cultural Bom Jardim, Cuca Mondubim e Poço da Draga. 

A XII Bienal Internacional de Dança do Ceará é uma realização da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania – Governo Federal, da Indústria da Dança e da Proarte, com apoio institucional do Governo do Estado do Ceará, via Secretaria da Cultura (Lei Estadual Nº 13.811 – Mecenato Estadual). Apoio: Instituto Iracema. Agradecimentos: Enel.

FICHA TÉCNICA

Petrichor (2018 | 14 min | Livre) – Coreografia e iluminação: Thiago Bordin. Músicas Jóhann Jóhannsson e Wim Mertens. Figurinos: Fábio Namatame.

A Morte do Cisne (2019 | 4 min | Livre) – Coreografia: Lars Van Cauwenbergh, inspirado na obra de Michel Fokine (1880-1942). Músicas: Camile Saint_Saens, O Cisne, extrato do Carnaval dos Animais (1866). Iluminação: Wagner Freire. Figurino: Marilda Fontes.

Vai (2019 | 20 min | Livre) – Coreografia: Shamel Pitts. Iluminação: Mirella Brandi. Figurino: Tushrik Fredericks. Assistente de coreografia: Mirelle Martins.

SERVIÇOS

São Paulo Companhia de Dança – Dia 25 de outubro, às 21 horas, no Theatro José e Alencar. R. Liberato Barroso, 525 – Centro. Tel: (85) 3101-2583. Gratuito. 

XII Bienal Internacional de Dança do Ceará – Em Fortaleza (16 a 27 de outubro), Trairi (18 e 19/10), Quixadá (24 e 25/10), Pacatuba (25/10), Itapipoca (25 e 26/10) e Paracuru (25 e 26/10)Informações: www.bienaldedanca.com.