Grupo ”Da dor ao amor” promove encontro para marcar o Dia Internacional de Sensibilização à Perda Gestacional

O grupo foi criado em agosto de 2019 para acolher pais que passam pela dor da perda de um filho ainda na gestação ou logo após o nascimento

No dia 15 de outubro, às 19h, o grupo “Da dor ao amor” vai se reunir virtualmente, aderindo à Campanha International Wave of Light (em português, Onda de Luz), que marca o Dia da Sensibilização à Perda Gestacional. Nesse dia e horário, pais, familiares, amigos e apoiadores da causa, de todo o mundo, acendem velas em uma corrente de amor para relembrar o quanto os bebês foram (e ainda são) amados e importantes, formando, assim, uma onda global de luz e amor.

O objetivo da ação é dar visibilidade à problemática da perda gestacional, neonatal e do infante, validando o luto dessas famílias na sociedade e contribuindo com a sensibilização do tema.

No ano passado, o grupo se reuniu na Praça Luiza Távora nesta mesma data. Em 2020, contudo, devido à pandemia do novo coronavírus, o encontro acontecerá através de uma ferramenta de reuniões online, com link disponível no Instagram do grupo.

O grupo foi idealizado por Lucas Ramalho e Tatiana Viana, que, ao passar, em março de 2019, pela perda da filha Beatriz (ainda na gestação, aos nove meses), perceberam que a perda gestacional era um assunto pouco falado e com pouca literatura disponível. O casal sonhou com a chegada da primeira filha. Ao sentir a ausência de movimentos de Beatriz no ventre de Tatiana, dirigiram-se a um hospital para exames, e lá descobriram que a filha já estava sem vida e tiveram que passar por uma cesária de urgência. A notícia da morte da filha chegou trazendo uma imensa dor para o casal e toda a família. A partir desta experiência, em busca de acolhimento, perceberam uma grande lacuna de informações e de escuta para familiares que passam por dores similares.

Em pesquisas digitais, então, descobriram a existência de alguns grupos em outros estados, como Rio de Janeiro e Recife, e resolveram criar em Fortaleza o grupo ”Da dor ao amor”, o que aconteceu em agosto daquele ano. A partir de então, através de encontros mensais (que têm sido virtuais desde o princípio da pandemia) e conversas por WhatsApp, o grupo tem conseguido reunir outros pais e familiares que passaram por situações semelhantes. ”O grupo não tem um objetivo psicoterapêutico, mas sim de acolhimento, de conversa e troca de experiências. Percebemos que algumas pessoas, até com boas intenções, consideram um verdadeiro tabu falar sobre o assunto e que muitas vezes não sabem o que fazer e nem o que dizer para pais que passam pela dor. Ao mesmo tempo, encontramos muitos pais que, como a gente, precisam de apoio e acolhimento para vivenciar todo o luto e a dor, mas acima de tudo, a felicidade e o amor que temos por nossos filhos – e o grupo vem para proporcionar este espaço”, explica Lucas.

Como agir (ou não agir) com pessoas que estão passando pelo drama do luto?

Tão logo a perda acontece, as pessoas ao redor silenciam sobre o ocorrido ou mesmo desviam o assunto quando estão na presença dos pais. O que por vezes não se sabe é que esses pais precisam ter espaço para falar sobre esse filho, pois quando se perde um filho, independentemente de sua idade, perdem-se também muitos sonhos e todo um futuro planejado se interrompe abruptamente toda uma experiência de descobertas, emoções e de comportamentos até então desconhecidos e extremamente aguardados. Mesmo que o casal venha a ter ou já tenha outros filhos, o filho perdido jamais será substituído.

Frases como “Logo vocês terão outro filho”, “Foi melhor assim”, “Ele poderia ter alguma doença”, “Pelo menos foi no começo”, são amplamente usadas por muitas pessoas com o objetivo de dar algum conforto. No entanto, geralmente fazem justamente o contrário, aumentando a dor dos pais nesse momento tão delicado.

Sobre a perda gestacional

O tema ainda é tabu, inclusive entre médicos e profissionais da saúde. A perda gestacional vem, aos poucos, sendo mais falada e difundida para ser tratada de forma mais humanizada e menos traumática pelos pais da criança que partiu. Estudos variados apontam que em torno de 20% das mulheres tem a gravidez interrompida de forma espontânea antes da 12ª semana de gravidez e, denominam esta perda, de gestacional. Existem os casos de perda até a 22º semana chamados de perda gestacional precoce e a partir daí perda gestacional tardia. A morte neonatal corresponde ao falecimento do recém-nascido até 28 dias de vida completos. Em todos os casos, a consequência é um grande vazio no corpo e no coração da mãe e pai que perdem.

Serviço:

Wave of Light

Data: 15 de outubro

Hora: 19h

Local: Reunião virtual no Google Meet (link no instagram do grupo)

Grupo Da dor ao Amor

Contato: Tatiana Viana – (85) 99919-2526

instagram.com/dadoraoamor.