A adenomiose é uma condição ginecológica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao que reveste o interior do útero infiltrado na musculatura uterina. Ainda pouco conhecida, ela afeta uma parcela significativa da população feminina. Estimativas indicam que a doença pode atingir cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, o que representa entre 5 e 10 milhões de brasileiras. O desconhecimento sobre a condição, somado à semelhança de seus sintomas com os de outras doenças ginecológicas, contribui para o subdiagnóstico e o atraso no início do tratamento adequado. Nesse contexto, a campanha Abril Roxo ganha relevância ao ampliar a conscientização e chamar a atenção para o problema.
Caracterizado por gerar dores pélvicas intensas e sangramentos anormais, o ginecologista e docente do Instituto de Educação Médica (Idomed), Leno Emanuel Sousa, explica que a doença ainda enfrenta barreiras no reconhecimento clínico. “Muitas mulheres passam anos ouvindo que a dor é ‘normal’ e que a dor é parte do ciclo menstrual. Isso faz com que muitas mulheres não procurem ajuda médica, atrasando o diagnóstico e impactando diretamente na qualidade de vida dessas pacientes”, afirma.
O especialista destaca que, por ter sintomas parecidos com a endometriose, a adenomiose é comumente confundida. “Embora distintas, ambas podem coexistir, o que exige uma avaliação clínica cuidadosa do ginecologista. É fundamental que haja um olhar atento para as queixas das pacientes. Dor incapacitante não deve ser considerada normal”, reforça Dr. Leno Emanuel. Segundo ele, o diagnóstico da adenomiose evoluiu nos últimos anos com o avanço de exames de imagem, como a ressonância magnética e o ultrassom transvaginal com preparo específico.
Sobre o tratamento, o docente afirma que pode variar de acordo com a intensidade dos sintomas e o desejo reprodutivo da paciente. “A escolha deve ser feita em conjunto com o médico. Pode incluir desde o uso de medicamentos hormonais para controle da dor e do sangramento até intervenções cirúrgicas em casos mais graves”, destaca. A retirada do útero (histerectomia), é o procedimento mais invasivo, mas costuma ser indicada apenas quando outras abordagens não apresentam resultado.
A campanha Abril Roxo existe para a difusão sobre a adenomiose na sociedade como uma forma de alertar e conscientizar as mulheres de que dor intensa e incapacitante durante o período menstrual não é normal e procurar ajuda é o primeiro passo para recuperar a qualidade de vida. “Quando a paciente entende o que está acontecendo com seu corpo, ela consegue buscar atendimento médico e retomar sua rotina com mais segurança”, concluiu o ginecologista.

























