Uma proposta nascida no sertão cearense está ganhando projeção nacional ao unir agroecologia, direitos étnico-raciais e fortalecimento da juventude quilombola. O projeto “Sementes da Transformação: Bem-Viver na Caatinga”, desenvolvido pelo Instituto Sementes da Caatinga, está entre os 10 finalistas de um prêmio nacional de tecnologia social, após superar centenas de iniciativas inscritas em todo o Brasil. A proposta é a única representante do Nordeste em sua categoria e agora segue para a fase de votação popular pela internet.
Criado no final de 2020, o Instituto Sementes da Caatinga atua na construção de estratégias voltadas à transformação social no semiárido nordestino. O projeto finalista surgiu dentro de um desafio nacional voltado à criação de soluções capazes de melhorar a realidade social de comunidades vulneráveis, envolvendo temas como direitos étnico-raciais, agroecologia, identidade cultural e sustentabilidade.
A proposta pretende atender inicialmente 30 jovens quilombolas da região dos Inhamuns, no Ceará, através de um fluxo permanente de formação em agroecologia, arte-educação, justiça étnico-racial e fortalecimento da identidade afrodescendente. O projeto prevê ainda a implantação coletiva de 10 sistemas agroflorestais e quintais produtivos adaptados ao bioma Caatinga, promovendo segurança alimentar, geração de renda, fortalecimento comunitário e valorização da ancestralidade negra no sertão cearense.
Além da formação social e ambiental, o projeto também prevê oficinas culturais, rodas de conversa, campanhas socioeducativas e ações de enfrentamento às violências racial e de gênero, utilizando a arte e a educação como instrumentos de transformação e pertencimento social. A iniciativa será desenvolvida junto a comunidades quilombolas dos municípios de Tauá, Parambu e Quiterianópolis, com perspectiva de expansão futura para outras comunidades do Ceará através da formação de jovens multiplicadores sociais.
A presença entre os 10 finalistas nacionais coloca o sertão cearense no centro do debate sobre inovação social, sustentabilidade e inclusão. Mais do que disputar uma premiação, o projeto busca ampliar a visibilidade das comunidades quilombolas do Nordeste e fortalecer propostas que unem desenvolvimento humano, preservação cultural e cuidado com a terra.
A votação popular segue aberta até sexta-feira, 22 de maio, através da plataforma da Fundação Banco do Brasil. Para votar, basta acessar o site Fundação BB Transforma e, dentro da categoria “Desafio Fundação BB 40 Anos”, selecionar o projeto “Sementes da Transformação: Bem-Viver na Caatinga”.























