Dançar quadrilha, caminhar em arraiais e passar horas em pé pode sobrecarregar as articulações; médico explica os principais cuidados para aproveitar a temporada sem lesões
Junho chegou e, com ele, uma das épocas mais aguardadas pelos brasileiros, o São João. Entre quadrilhas, shows, arraiais e encontros que costumam durar horas, muitas pessoas acabam submetendo o corpo a um esforço maior do que o habitual. O resultado costuma aparecer nos dias seguintes, como dores nos joelhos, inchaço e desconforto nas articulações.
Para Jonatas Brito, ortopedista especialista em cirurgia do joelho, o problema não está em participar das festas, mas no excesso aliado à falta de preparo físico e aos cuidados inadequados.
“Assim como em grandes eventos festivos, o que sobrecarrega o joelho não é a dança em si, mas permanecer muitas horas em atividade sem condicionamento adequado. Quando a musculatura entra em fadiga, ela perde parte da capacidade de proteger a articulação, aumentando significativamente o risco de dor e inflamação”, explica.
As tradicionais quadrilhas juninas exigem movimentos repetitivos, mudanças rápidas de direção, agachamentos e saltos que podem representar um desafio para quem leva uma rotina sedentária durante o restante do ano. Além disso, muitas pessoas passam horas circulando em parques de eventos, arraiais e festas ao ar livre.
Quem já possui histórico de artrose, lesões ligamentares ou problemas no menisco deve ter atenção redobrada. “Pacientes com doenças pré-existentes no joelho costumam apresentar piora dos sintomas após períodos prolongados de sobrecarga. A dor é um sinal de alerta e não deve ser ignorada”, destaca.
Botas e calçados típicos merecem atenção
Um dos símbolos das festas juninas pode se tornar um vilão para as articulações. Botas sem amortecimento adequado, sandálias muito planas ou calçados desconfortáveis aumentam a sobrecarga sobre joelhos, tornozelos e quadris.
“Muitas pessoas escolhem o calçado pensando apenas na estética da festa. Depois de várias horas dançando ou caminhando, a falta de absorção de impacto começa a cobrar seu preço”, alerta o médico.
Outro fator que contribui para o aumento do risco de lesões é o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Além da desidratação, o álcool reduz reflexos e equilíbrio, favorecendo quedas, torções e acidentes.
Como aproveitar o São João sem prejudicar os joelhos
A boa notícia é que algumas medidas simples ajudam a reduzir bastante o risco de dores e lesões durante o período junino, segundo o médico:
- Fazer caminhadas e exercícios de fortalecimento nas semanas que antecedem as festas;
- Utilizar calçados confortáveis e com bom amortecimento;
- Intercalar períodos de dança e caminhada com momentos de descanso;
- Manter uma boa hidratação ao longo do evento;
- Evitar insistir na atividade quando houver dor, inchaço ou sensação de instabilidade;
- Respeitar os limites do próprio corpo.
“Não é preciso deixar de participar das festas, mas o importante é entender que joelhos saudáveis dependem de músculos preparados e de hábitos adequados. Dá para aproveitar o São João inteiro sem transformar a diversão em semanas de recuperação depois”, afirma. Para o especialista, o principal erro é normalizar a dor como parte da experiência. “O São João dura algumas semanas, mas o joelho precisa durar a vida toda. Quando o corpo pede descanso, é importante ouvir esse sinal”, finaliza.
SOBRE JONATAS BRITO
Dr. Jonatas Brito é professor e pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Unichristus. Especialista em Cirurgia do Joelho, possui doutorado em Cirurgia pela UFC, com estágios internacionais, inclusive na Alemanha. É criador de uma técnica reconhecida internacionalmente para recuperação do menisco e prevenção da artrose no joelho. Também é membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ).
























